Vozes-negras nas fronteiras da colonialidade: pedagogia de (re)existência, um modo outro de (des)aprendizagem
Resumen
Este texto é fruto dos diálogos empreendidos com meninas negras e quilombolas acerca dos atravessamentos do racismo nas experiências de vida e aprendizagem. Assim, importa dar a ver como as crianças, sujeitos de si e das próprias histórias, criam possibilidades outras de vida que fazem eclodir uma Pedagogia de (re)existência, a partir da intersecção entre raça, gênero e classe. Para tanto, o pensamento decolonial se constitui como ferramenta interpretativa, elencada para problematizar as amarras colonizadoras que, por tanto tempo, (in)visibilizaram saberes, estéticas, culturas, religiões, modos de ser e viver, subalternizando sujeitos e espaços «outros», não europeus. O que tecemos aqui emerge da intensidade de uma imersão etnográfica, dos sentidos, saberes e fazeres aprendidos no chão de um quilombo urbano. Em suma, o exercício de escuta sensível nos permitiu compreender que nas vozes-negras, meninas e quilombolas, ecoam sentidos e gestos orgânicos de resistência que constituem o que chamamos de Pedagogia de (re)existência – desejo de existência, transformação, criação e ética de si mesmo nas fronteiras da colonialidade. Há, aqui, um modo outro de (des)aprendizagem, de educação antirracista.
- Referencias
- Cómo citar
- Del mismo autor
- Métricas
CAVALLEIRO, E. (2000). Do silêncio do lar ao silêncio escolar: racismo, preconceito e discriminação na educação infantil. São Paulo: Contexto.
EVARISTO, C. (2017). Poemas de recordação e outros movimentos. Rio de Janeiro: Malê.
FANON, F. (2008). Peles negras, máscaras brancas. Salvador: EDUFBA.
GOMES, N. L. (2002). Corpo e cabelo como ícones de construção da beleza e da identidade negra nos salões étnicos de Belo Horizonte. Tese de Doutorado. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. São Paulo.
GOMES, N. L. (2006). Sem perder a raiz: Corpo e cabelo como símbolos da identidade negra. Belo Horizonte: Autêntica.
GONZALEZ, L. (1982). A mulher negra na sociedade brasileira. Em M. Luz (coord.), O lugar da mulher: estudos sobre a condição feminina na sociedade atual (pp. 87-104). Rio de Janeiro: Graal.
GONZALEZ, L. (1982). O movimento negro na última década. Em L. GONZALEZ e C. HASENBALG, Lugar de negro (pp. 9-66). Rio de Janeiro: Marco Zero.
MALDONADO-TORRES, N. (2007). Sobre la colonialidad del ser: contribuciones al desarrollo de un concepto. Em S. CASTRO-GÓMEZ e R. GROSFOGUEL (orgs.), El giro decolonial. Reflexiones para una diversidad epistémica más allá del capitalismo global (pp. 127-167). Bogotá: Universidad Javeriana-Instituto Pensar, Universidad Central-IESCO, Siglo del Hombre Editores.
MBEMBE, A. (2018). Necropolítica. São Paulo: N-1 edições.
MOREIRA, A. (2018). O que é racismo recreativo? Belo Horizonte: Letramento.
NASCIMENTO, M. B. (1981). Sistemas sociais alternativos organizados pelos negros: dos quilombos às favelas (mimeo). Arquivo Nacional. Fundo Maria Beatriz Nascimento.
PAREDES, J. (2010). Hilando fino. Desde el feminismo comunitario. La Paz: Mujeres Creando Comunidad.
QUIJANO, A. (2009). Colonialidade do Poder e Classificação Social. Em B. de S. SANTOS e M. de P. MENESES (coords.), Epistemologias do Sul (pp. 117-142). Coimbra: Edições Almedina S. A.
RIBEIRO, D. (2018). Quem tem medo do feminismo negro? São Paulo: Companhia das letras.
SARMENTO, M. J. (2011). A Reinvenção do Ofício de Criança e Aluno. Atos de Pesquisa em Educação, 6, 581-602.
WALSH, C. (2013). Pedagogías decoloniales: Prácticas insurgentes de resistir, (re)existir y (re)vivir. Quito: Ediciones Abya Yala.
WALSH, C. (2017). Pedagogías decoloniales: Prácticas insurgentes de resistir, (re)existir y (re)vivir, t. II. Quito: Abya Yala.
Artículos similares
- Simone Dos Santos e Silva, Evanilson Landim, O Transtorno do Espectro Autista e a formacão de professores , Aula: Vol. 32 (2026)
- Hugo De Oliveira Verardi-Bocca, Autoria em música: um estudo com alunos dos anos iniciais do ensino fundamental , Aula: Vol. 31 (2025)
- Josiane Beloni de Paula, Patrícia Magalhães Pinheiro, Elison Antonio Paim, Educación antirracista y decolonialidad en la educación brasileña: recuerdos y experiencias de profesores , Aula: Vol. 28 (2022): Educación y decolonialidad: desafíos y posibilidades
- Lucilene Amarante, Jani Alves Da Silva Moreira, Leonardo Dorneles Gonçalves, Análisis sobre el programa Tiempo de Aprender en Brasil: ¿el derecho a la alfabetización o la performatividad docente? , Aula: Vol. 27 (2021): Revistas pedagógicas
- José Luis Rodríguez-Pérez, Sonsoles Ramos Ahijado, Ana María Botella Nicolás, Ilaciones legislativas de la educación musical española desde la Segunda República en Educación Primaria y en Magisterio , Aula: Vol. 32 (2026)
- Pablo Campos Calvo-Sotelo, Sonia Izquierdo-Esteban, Covadonga Lorenzo-Cueva, Campus inclusivos. Investigación, discapacidad intelectual y arquitectura para la innovación espacial en la universidad , Aula: Vol. 31 (2025)
- Sara Talitiane Viana Machado Leandro de Lima, Mario Borges Netto, Maria Cristina Gomes Machado, Formação de professores e métodos de ensino em Brasil na perspectiva do periódico a instrução pública (1872-1875) , Aula: Vol. 27 (2021): Revistas pedagógicas
- Enicéia Gonçalves Mendes, Ensinando ética na licenciatura em Educação Especial: uma experiência de co-construção de conhecimentos , Aula: Vol. 25 (2019): La Inspección de Educación a examen
- Isabel Baptista, A página da educação. Uma publicação com passado, presente e futuro , Aula: Vol. 27 (2021): Revistas pedagógicas
- Cleusa Valério Gabardo, Regina Cely de Campos Hagemeyer, Formación de profesores en Brasil y el proceso de construcción curricular propuesto por supuesto la pedagogía en la UFPR (1996-2011) , Aula: Vol. 20 (2014): Didáctica de la lectura
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 > >>
También puede Iniciar una búsqueda de similitud avanzada para este artículo.