Políticas públicas de formação de professores no Brasil: tessituras sistêmicas neoliberais
Resumo
As políticas de formação de professores no Brasil, implementadas a partir dos anos 2000 e delineadas com base na Reforma do Estado da década de 1990, bem como na institucionalização das políticas curriculares, reforçam o discurso da cultura profissionalizante. Diante desse cenário, esta pesquisa teve como objetivo discutir as complexas articulações da agenda global da educação, materializadas por meio de políticas educacionais itinerantes fundamentadas na teoria do capital humano, compreendidas como elementos constitutivos das identidades (im)postas pelas políticas brasileiras de formação docente. Com base em uma pesquisa qualitativa de inspiração dialética e de natureza documental, que teve como fontes primárias as Resoluções CNE/CP n.º 02/2002, n.º 02/2015, n.º 02/2019 e n.º 04/2024, elaborou-se uma tipologia fundamentada nas categorias conceito de formação de professores, perfil identitário e ideologia profissional. As análises evidenciaram o processo de precarização das políticas de formação docente, elucidaram os princípios ideológicos e programáticos do ideário neoliberal e demonstraram como a teoria do capital humano, incorporada de forma multifacetada e muitas vezes subliminar, promove a inserção dos currículos subnacionais como elemento estruturante da constituição identitária dos futuros professores.
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