O planejamento como instrumento da Arquitetura Global da Educação: um caso entre o Brasil e a Espanha

Resumo

O artigo examina a política do Mapa Escolar como parte da Arquitetura Global da Educação promovida pela Unesco, concentrando-se nos casos do Brasil e da Espanha nas décadas de 1960 e 1970. A partir de uma abordagem interdisciplinar que articula geografia, história da educação e ciências sociais, analisa-se como diretrizes internacionais foram reinterpretadas por regimes autoritários de caráter desenvolvimentista, evidenciando a relação entre espaço, poder e modernização estatal. Com base em documentos oficiais, relatórios técnicos e estudos acadêmicos, demonstra-se que, embora ambos os países tenham sido influenciados por organismos multilaterais como a Unesco e a OCDE, a implementação do Mapa Escolar seguiu lógicas próprias. Na Espanha, consolidou-se o termo Carta Escolar, acompanhado de debates conceituais desenvolvidos por autores como Carrasco e Soler Valero. No Brasil, o conceito ganhou materialidade em experiências regionais pioneiras, especialmente em Pernambuco, com destaque para a atuação de Zaida Cavalcanti e dos Centros Regionais de Pesquisas Educacionais. O estudo evidencia que o Mapa Escolar não se restringe a um instrumento técnico, constituindo-se também como dispositivo político que expressa modelos de sociedade, relações de poder e concepções territoriais. A pesquisa contribui para uma historiografia educacional transnacional ao demonstrar como políticas globais foram ressignificadas em contextos locais distintos.

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Biografia do Autor

Kalline Laira Lima dos Santos

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Universidade Estadual Paulista

Mestra em Educação pelo programa de pós-graduação em Educação da Universidade Estadual Paulista (Unesp, Brasil).

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