O direito à saúde e a desigualdade: as respostas da Atenção Primária à Saúde no enfrentamento à pandemia da covid-19 no Nordeste brasileiro
Resumo
Diante do contexto da sindemia da covid-19, marcada pela elevada carga de doenças transmissíveis, doenças crônicas e diferentes formas de violência, constituiu-se, em março de 2020, em Pernambuco (Brasil), um grupo interdisciplinar formado por pesquisadores, comunicadores sociais e defensores dos direitos humanos, organizado para desenvolver ações voltadas à produção do cuidado em saúde, à formulação de estratégias de atenção, à gestão e à defesa da dignidade humana. A iniciativa teve como ponto de partida o apoio institucional à elaboração de planos de enfrentamento da pandemia em diferentes dimensões: clínica, epidemiológica, social, subjetiva, política e simbólica. Esta pesquisa tem como objetivo analisar as respostas da Atenção Primária à Saúde no enfrentamento da pandemia, considerando as dimensões clínica, social, subjetiva e da vigilância em saúde. O estudo foi realizado na Região Metropolitana do Recife, caracterizada por elevados índices de vulnerabilidade social, por meio de uma abordagem quali-quantitativa, com aplicação de questionários e realização de entrevistas em profundidade com trabalhadores e usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). Os resultados evidenciaram dificuldades para garantir o direito à saúde, especialmente nas dimensões clínica, da vigilância em saúde, social e subjetiva. Conclui-se que é necessário fortalecer o apoio institucional e promover mudanças nas práticas de saúde, tanto para o enfrentamento da pandemia quanto para a preparação diante de futuras emergências sanitárias.
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