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<journal-title>AULA</journal-title>
<journal-subtitle>Iniciaci&#x00F3;n a la investigaci&#x00F3;n en el Bachillerato de Investigaci&#x00F3;n y Excelencia (BIE): pr&#x00E1;cticas, resultados y proyecci&#x00F3;n educativa</journal-subtitle>
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<subject>Revisiones y rese&#x00F1;as</subject>
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<article-title>Tebet, G. (Org.). (2019). <italic>Estudos de beb&#x00EA;s e di&#x00E1;logos com a sociologia</italic>. S&#x00E3;o Carlos: Pedro &#x0026; Jo&#x00E3;o Editores, 631 pp. ISBN: 978-85-7993-660-9</article-title>
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<product product-type="book"><person-group person-group-type="author"><string-name><surname>Tebet</surname>, <given-names>G.</given-names></string-name></person-group> (<role>Org.</role>). (<year>2019</year>). <source><italic>Estudos de beb&#x00EA;s e di&#x00E1;logos com a sociologia</italic></source>. <publisher-loc>S&#x00E3;o Carlos</publisher-loc>: <publisher-name>Pedro &#x0026; Jo&#x00E3;o Editores</publisher-name>, <size units="pages">631 pp.</size> <comment>ISBN:</comment> <isbn>978-85-7993-660-9</isbn></product>
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<copyright-statement>&#x00A9; 2026 Ediciones Universidad de Salamanca</copyright-statement>
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<p>A leitura da obra <italic>Estudos de beb&#x00EA;s e di&#x00E1;logos com a sociologia</italic>, organizada pela professora Gabriela Tebet, re&#x00FA;ne artigos cient&#x00ED;ficos, redigido por uma poliss&#x00E9;mica de autores, nacionais e internacionais, que mant&#x00E9;m um di&#x00E1;logo entre sociologia e ci&#x00EA;ncias sociais objetivando responder a pergunta principal que norteia a mesma: <italic>o que &#x00E9; um beb&#x00EA;?</italic></p>
<p>De uma riqueza, quer metodol&#x00F3;gica, quer te&#x00F3;rica &#x00ED;mpar, a obra est&#x00E1; organizada em <italic>trinta e tr&#x00EA;s</italic> cap&#x00ED;tulos distribu&#x00ED;dos em <italic>sete partes:</italic> 1. Fundamentos Sociol&#x00F3;gicos Cl&#x00E1;ssicos e suas implica&#x00E7;&#x00F5;es para o estudo de beb&#x00EA;s; 2. Beb&#x00EA;s, Inf&#x00E2;ncia e Gera&#x00E7;&#x00E3;o; 3. Os discursos sobre beb&#x00EA;s, a sociologia e o construcionismo social; 4. Beb&#x00EA;s, cultura e arte; 5. Perspetivas sociol&#x00F3;gicas para o estudo dos beb&#x00EA;s e suas experi&#x00EA;ncias cotidianas; 6. Temas contempor&#x00E2;neos nas pesquisas sociol&#x00F3;gicas sobre beb&#x00EA;s; 7. Sociologia al&#x00E9;m dos seus limites disciplinares.</p>
<p>Os trinta e tr&#x00EA;s artigos que comp&#x00F5;em a obra s&#x00E3;o precedidos de um pref&#x00E1;cio escrito por Anete Abramowich que discorre sobre o cen&#x00E1;rio da Sociologia da Inf&#x00E2;ncia e os conceitos constru&#x00ED;dos por esta &#x2013; <italic>cultura infantil, protagonismo infantil, processos de socializa&#x00E7;&#x00E3;o, estrutura social, inf&#x00E2;ncia/crian&#x00E7;a, autoria social/ag&#x00EA;ncia, gera&#x00E7;&#x00E3;o, etnografia, cultura de pares</italic> &#x2012; e como esta operou uma mudan&#x00E7;a em rela&#x00E7;&#x00E3;o &#x00E0; Sociologia da Educa&#x00E7;&#x00E3;o. Todavia, embora ineg&#x00E1;veis os avan&#x00E7;os no tocante os estudos das crian&#x00E7;as e da inf&#x00E2;ncia, os beb&#x00EA;s continuaram ocupando apenas uma condi&#x00E7;&#x00E3;o marginal em tais teorias, mesmo no interior da sociologia da inf&#x00E2;ncia. H&#x00E1; uma aus&#x00EA;ncia hist&#x00F3;rica dos beb&#x00EA;s nos estudos da inf&#x00E2;ncia nas pesquisas de &#x00E1;reas como hist&#x00F3;ria, antropologia, geografia e filosofia e sociologia, que poderiam estabelecer um lugar para os beb&#x00EA;s nas ci&#x00EA;ncias sociais. <italic>Estudos de beb&#x00EA;s e di&#x00E1;logos com a sociologia</italic> objetiva contribuir para preencher esta lacuna (p. 11). &#x00C9; isto que faz desta obra, mesmo ap&#x00F3;s seis anos de publica&#x00E7;&#x00E3;o ser um trabalho &#x00ED;mpar. Ao concluir o pref&#x00E1;cio, &#x00E9; apontado os desafios que se estabelecem ao se debru&#x00E7;ar sobre os estudos de beb&#x00EA;s, dentre eles a cria&#x00E7;&#x00E3;o de um aporte te&#x00F3;rico que ajude a construir o beb&#x00EA; como figura anal&#x00ED;tica para favorecer sua expans&#x00E3;o e express&#x00E3;o e desse modo impulsionar e solicitar in&#x00FA;meras possibilidades anal&#x00ED;ticas.</p>
<p>A introdu&#x00E7;&#x00E3;o, descrita pela organizadora da obra, Gabriela Tebet, pondera que conforme a perspetiva escolhida para o <italic>di&#x00E1;logo</italic>, os beb&#x00EA;s &#x2013; assim como sua rela&#x00E7;&#x00E3;o com as no&#x00E7;&#x00F5;es de crian&#x00E7;a e de inf&#x00E2;ncia &#x2013; ser&#x00E3;o compreendidos de um modo ou de outro (p. 17). &#x00C9; com esta diversidade que deparar-se-á: elementos de diversas teorias sociol&#x00F3;gicas que o permitir&#x00E1; seguir caminhos distintos, conforme os interesses acad&#x00EA;micos que possui.</p>
<p>A primeira parte da obra possui seis cap&#x00ED;tulos e &#x00E9; composta por textos de Silvia Cintra, &#x00C2;ngela Coutinho, C&#x00E2;ndida Alves, Erico Jos&#x00E9; Santos, Ja&#x00EA;nes Alves e Jos&#x00E9; Oliveira, Alan Caballero, Ant&#x00F4;nio Carlos J&#x00FA;nior e Gabriela Tebet, Marcos de Freitas. S&#x00E3;o apresentadas correntes te&#x00F3;ricas sociol&#x00F3;gicas cl&#x00E1;ssicas &#x2013; Durkheim, Weber, Marx, Bourdieu, Giddens e Goffman. Os autores mobilizaram conceitos como: socializa&#x00E7;&#x00E3;o, ac&#x00E7;&#x00E3;o social/teoria compreensiva, teoria dos campos, teoria da estrutura&#x00E7;&#x00E3;o, rituais de intera&#x00E7;&#x00E3;o, etnografia s&#x00E9;ria, &#x00AB;pegar no olho&#x00BB;, como o intuito de apresentar possibilidades te&#x00F3;ricas e conceituais para o estudo com os beb&#x00EA;s.</p>
<p>A segunda parte traz os contributos de Gabriela Tebet, Kevin Ryan e &#x00C9;rica Schaden distribu&#x00ED;dos em tr&#x00EA;s cap&#x00ED;tulos. Dentre os conceitos mencionados frisa-se: gera&#x00E7;&#x00E3;o, conex&#x00F5;es geracionais, unidades geracionais &#x2013; sob a &#x00F3;tica de Mannheim e gera&#x00E7;&#x00E3;o enquanto estrutura social &#x2013; Jens Qvortup, espa&#x00E7;os das apar&#x00EA;ncias x espa&#x00E7;o relacional. Entre as sugest&#x00F5;es apresentadas para os estudos sobre os beb&#x00EA;s, os autores apontam: i) de que modo a gera&#x00E7;&#x00E3;o vai sendo produzida para os beb&#x00EA;s bem como qual o papel dos beb&#x00EA;s na produ&#x00E7;&#x00E3;o das gera&#x00E7;&#x00F5;es?; ii) considerando que a perspetiva de Arendt apregoa que as crian&#x00E7;as n&#x00E3;o est&#x00E3;o acabadas, mas no estado de devir, como conectar este estado &#x00E0; realidade? e iii) como repensar, a partir da vertente estrutural-categorial, a rela&#x00E7;&#x00E3;o das investiga&#x00E7;&#x00F5;es e legisla&#x00E7;&#x00E3;o p&#x00FA;blica onde o espa&#x00E7;o ocupado para os beb&#x00EA;s n&#x00E3;o se limite &#x00E0; tematica da sa&#x00FA;de?</p>
<p>A terceira parte, tamb&#x00E9;m constitu&#x00ED;da por tr&#x00EA;s cap&#x00ED;tulos, apresenta os estudos dos autores: Danyelen Lima e Mariza Demarzo, Cau&#x00EA; Casagrande e Fabiana de Oliveira e tem como referência o construcionismo social. A leitura desta traz reflex&#x00F5;es pertinentes que podem, e devem, ser retomadas no &#x00E2;mbito da investiga&#x00E7;&#x00E3;o atualmente: i) como os beb&#x00EA;s aparecem nas leis e nos discursos oficiais?; ii) como inserir a documenta&#x00E7;&#x00E3;o pedag&#x00F3;gica enquanto instrumento de transforma&#x00E7;&#x00E3;o da imagem do beb&#x00EA;, da crian&#x00E7;a e de educa&#x00E7;&#x00E3;o de quem est&#x00E1; imerso nesse processo?; iii) como pensar as rela&#x00E7;&#x00F5;es raciais tendo em conta a heterogeneidade e que esta &#x00FA;ltima leva &#x00E0; constru&#x00E7;&#x00E3;o de uma inf&#x00E2;ncia plural?</p>
<p>A quarta parte, composta por seis cap&#x00ED;tulos, foi escrita por: Ketiene Silva; Rafaela Freitas; Ellen Souza; Lilian de Souza; Leidiane Souza e por fim, Wenceslao de Oliveira J&#x00FA;nior, Sandra Amaral, Marta de Oliveira, Meiry Pereira, Mauro Guari, Juliana de Oliveira, Rezeli de Melo. Os cap&#x00ED;tulos, de forma geral, destacam-se, para al&#x00E9;m do aporte te&#x00F3;rico que o embasa &#x2013; Florestan Fernandes, Hampate B&#x00E2; e Souza, Willian Corsaro, Heinich e outros, pela riqueza metodol&#x00F3;gica como forma de interven&#x00E7;&#x00E3;o nos estudos <italic>sobre</italic> e <italic>com</italic> os beb&#x00EA;s. Dito isto, tem-se: o trabalho com grupo o folcl&#x00F3;rico e os folguedos; investiga&#x00E7;&#x00E3;o dos discursos produzidos pelas crian&#x00E7;as sobre o que &#x00E9; um beb&#x00EA; e como estes discursos se proliferam; trabalho desenvolvido em terreiros de candombl&#x00E9; com os conceitos de cultura e ra&#x00E7;a; os trabalhos desenvolvidos pelo Instituto Tomie Ohtake, Museu Lasar Segall, instala&#x00E7;&#x00F5;es sensoriais, teatro para beb&#x00EA;s e, por fim, e n&#x00E3;o menos importante, o Projeto Cineclub.</p>
<p>A quinta parte, organizada em sete cap&#x00ED;tulos, inicia com os contributos de Gabriela Tebet, Paulo Roquete, Nat&#x00E1;lia Santos, Michele Sebasti&#x00E3;o, Arlete Bonif&#x00E1;cio e Leonardo Campos, Liane Moz&#x00E8;re, Loani Pontes, Armanda Vale, Pablo del Grande, Gustavo Barros e conclui com o artigo de Sabrina de Oliveira. Trazem reflex&#x00F5;es nos seguintes &#x00E2;mbitos: a partir do conceito de <italic>ra&#x00E7;a</italic>, porque os beb&#x00EA;s negros s&#x00E3;o minorias nas creches; como aceder ao desejo das crian&#x00E7;as pequenas de forma a construir espa&#x00E7;os-tempos que favore&#x00E7;am sua express&#x00E3;o; repensar o processo de investiga&#x00E7;&#x00E3;o ampliando as possibilidades de apoio &#x00E0; teoria <italic>ator-rede</italic> para pensar os beb&#x00EA;s; ancorar-se na <italic>Sociologia da experi&#x00EA;ncia</italic> em entrelace com Dubet para rever o papel da creche enquanto aprendizagem e viv&#x00EA;ncias para a identidade dos beb&#x00EA;s; como abordar a emocionalidade, estribando-se na Sociologia da emo&#x00E7;&#x00F5;es no estudos dos beb&#x00EA;s; <italic>quais</italic> e <italic>como</italic> as a&#x00E7;&#x00F5;es infinitesimais apontadas por Gabriel Tarde potencializam a condi&#x00E7;&#x00E3;o do beb&#x00EA; enquanto <italic>indiv&#x00ED;duo em potencial</italic> a tornar-se <italic>indiv&#x00ED;duo;</italic> sendo a pr&#x00E9;-individualidade condi&#x00E7;&#x00E3;o para a <italic>individua&#x00E7;&#x00E3;o coletiva,</italic> como as experi&#x00EA;ncias proporcionadas favorecem novas rela&#x00E7;&#x00F5;es, tanto com o espa&#x00E7;o, com os objetos e com pessoas que os rodeiam.</p>
<p>A sexta parte, composta por tr&#x00EA;s cap&#x00ED;tulos, foi escrita por Fernanda Roveri; M&#x00E1;rcia Aparecida Gobbi, Maria Cristina Leite e Juliana Pinto; Andrea Moruzzi e Giovana Alonso. O debate gira em torno dos conceitos/investiga&#x00E7;&#x00F5;es realizadas em conson&#x00E2;ncia com a Sociologia: <italic>g&#x00EA;nero &#x2012;</italic> em di&#x00E1;logo com a Sociologia da inf&#x00E2;ncia visto que as investiga&#x00E7;&#x00F5;es com est&#x00E1; tem&#x00E1;tica est&#x00E3;o &#x00E0; margem da academia; <italic>Sociologia urbana</italic> &#x2013; a partir das reflex&#x00F5;es de Henri Lefebvre, Richard Sennett e David Harvey cogitando responder &#x00E0;s perguntas: em que medida os corpos infantis, em especial dos beb&#x00EA;s, est&#x00E3;o produzindo e sendo produzidos no urbano? Sua presen&#x00E7;a no espa&#x00E7;o p&#x00FA;blico pode ser compreendida como transformadora?; investiga&#x00E7;&#x00F5;es a partir de conceitos e temas sociol&#x00F3;gicos &#x2012; Wart (2005) intitulada F<italic>azendo pessoas e fazendo ro&#x00E7;as entre os Panar&#x00E1; do Brasil Central</italic>; Coutinho (2009) traz como temas centrais em seu texto <italic>O Estudo das rela&#x00E7;&#x00F5;es sociais dos beb&#x00EA;s na creche: uma abordagem interdisciplinar;</italic> Em <italic>Para onde foram os beb&#x00EA;s? Em busca de uma antropologia de beb&#x00EA;s (e de seus cuidadores), publicado por Alma Gottlieb (2000);</italic> O texto <italic>A arte na forma&#x00E7;&#x00E3;o de professores de todas as idades: o teatro &#x00E9; um conto vivo, de Frabetti (2011).</italic></p>
<p>A s&#x00E9;tima e &#x00FA;ltima parte do livro apresenta os trabalhos de Jader Lopes, Marisol de Mello, Luiz Pereira; Susana Cort&#x00E9;s-Morales e Pia Christensen; Cristiane da Silva; Alex Matsuyama, Isabel Brustolin, Marcela Ramos e Gabriela Tebet, Helo&#x00ED;sa Lins, compondo os cinco cap&#x00ED;tulos desta. Os autores, em uma tentativa interdisciplinar, pensam os estudos sobre os beb&#x00EA;s a partir da geohist&#x00F3;ria, da Teoria das Representa&#x00E7;&#x00F5;es Sociais, Sociologia hist&#x00F3;rica, mobilidade infantil e da perplexidade para se chegar &#x00E0; utopia.</p>
<p><italic>Estudos de beb&#x00EA;s e di&#x00E1;logos com a sociologia</italic> imputa-se numa obra relevante para a &#x00E1;rea de estudos da sociologia por ter o engenho de apresentar uma gama de estudos que resultam de pesquisas te&#x00F3;rica e emp&#x00ED;ricas decorrentes dos trabalhos de professores /investigadores envolvidos com a tem&#x00E1;tica com seus m&#x00FA;ltiplos olhares. Todavia, o desafio que ainda &#x00E9; posto diante da mesma abrange o processo de forma&#x00E7;&#x00E3;o de investigadores no que se refere as metodologias adequadas para os <italic>estudos de beb&#x00EA;s</italic> (Coutinho, p. 58). O que se constitui um campo abundante e, espero, sedutor.</p>
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