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<journal-title>AULA</journal-title>
<journal-subtitle>Iniciaci&#x00F3;n a la investigaci&#x00F3;n en el Bachillerato de Investigaci&#x00F3;n y Excelencia (BIE): pr&#x00E1;cticas, resultados y proyecci&#x00F3;n educativa</journal-subtitle>
<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Aula (Salamanca)</abbrev-journal-title>
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<publisher-name>Universidad de Salamanca</publisher-name>
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<subject>Estudios</subject>
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<article-title>O Transtorno do Espectro Autista e a formac&#x00E3;o de professores</article-title>
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<trans-title xml:lang="en">Autism Spectrum Disorder and Teacher Training</trans-title>
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<institution content-type="original">Secretaria de Educa&#x00E7;&#x00E3;o de Pernambuco, Brasil</institution>
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<institution content-type="original">Universidad de Pernambuco (UPE), Campus Petrolina, Brasil</institution>
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Campus Petrolina
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<author-notes>
<corresp id="cor1"><label>*</label> Autor de correspondencia / Corresponding autor</corresp>
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<license-p>Esta obra est&#x00E1; bajo una licencia de Creative Commons Atribuci&#x00F3;n-NoComercial-CompartirIgual 4.0.</license-p>
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<title>Resumo</title>
<p>A pesquisa buscou responder &#x00E0; quest&#x00E3;o: <italic>o que dizem os docentes sobre a inclus&#x00E3;o de estudantes com TEA?</italic> O objetivo geral foi analisar as representa&#x00E7;&#x00F5;es sociais sobre inclus&#x00E3;o de estudantes com TEA na rede municipal de Olinda-PE. A pesquisa qualitativa fundamentou-se na Teoria das Representa&#x00E7;&#x00F5;es Sociais e envolveu tr&#x00EA;s escolas municipais. Os dados foram coletados por meio de um Teste de Associa&#x00E7;&#x00E3;o Livre de Palavras e de entrevistas semiestruturadas. Os resultados apontaram car&#x00EA;ncias formativas e limita&#x00E7;&#x00F5;es estruturais que parecem restringir a inclus&#x00E3;o educacional dos estudantes com TEA. As representa&#x00E7;&#x00F5;es sociais de estudantes com TEA compartilhadas pelos docentes apontaram para uma sensa&#x00E7;&#x00E3;o de escassez e nega&#x00E7;&#x00E3;o de condi&#x00E7;&#x00F5;es, relacionadas &#x00E0; inexist&#x00EA;ncia de processos formativos, estrutura f&#x00ED;sica inadequada nas escolas, al&#x00E9;m da falta de recursos humanos e materiais. Desse modo, pode-se observar, que os dispositivos legais, ainda n&#x00E3;o t&#x00EA;m sido suficientes para que de fato, se reconhe&#x00E7;a a inclus&#x00E3;o de estudantes com TEA de forma adequada.</p>
</abstract>
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<title>Abstract</title>
<p>The research sought to answer the question: what do teachers say about the inclusion of students with ASD? The general objective was to analyze the social representations about the inclusion of students with ASD in the municipal network of Olinda-PE. The qualitative research was based on the Social Representation Theory and involved three municipal schools. Data were collected through a Free Word Association Test and semi-structured interviews. The results revealed training gaps and structural limitations that seem to restrict the educational inclusion of students with ASD. The social representations of students with ASD shared by teachers pointed to a sense of scarcity and denial of conditions, related to the absence of training processes, inadequate physical infrastructure in schools, and the lack of human and material resources. Thus, it can be observed that legal frameworks have not yet been sufficient to truly ensure the adequate inclusion of students with ASD.</p>
</trans-abstract>
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<title>Palavras-chave</title>
<kwd>Autismo</kwd>
<kwd>forma&#x00E7;&#x00E3;o de professores</kwd>
<kwd>educa&#x00E7;&#x00E3;o inclusiva</kwd>
<kwd>transtornos do desenvolvimento</kwd>
<kwd>representa&#x00E7;&#x00F5;es sociais</kwd>
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<title>Keywords</title>
<kwd>Autism</kwd>
<kwd>teacher training</kwd>
<kwd>inclusive education</kwd>
<kwd>developmental disorders</kwd>
<kwd>social representations</kwd>
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<sec id="sec-1-32398">
<label>1.</label>
<title>Introdu&#x00E7;&#x00E3;o</title>
<p>O aumento de matr&#x00ED;culas de estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) nas escolas regulares tem intensificado o interesse de muitos professores(as) em compreender as caracter&#x00ED;sticas desses estudantes, como suas formas de aprender e se relacionar. Como consequ&#x00EA;ncia, muitos t&#x00EA;m buscado cursos de forma&#x00E7;&#x00E3;o continuada e em servi&#x00E7;o, visto que tais qualifica&#x00E7;&#x00F5;es n&#x00E3;o foram adquiridas durante a forma&#x00E7;&#x00E3;o inicial. O texto aqui apresentado trata de uma pesquisa desenvolvida no &#x00E2;mbito do Mestrado Profissional em Educa&#x00E7;&#x00E3;o Inclusiva &#x2013; PROFEI na Universidade de Pernambuco, <italic>Campus</italic> Mata Norte que examinou as representa&#x00E7;&#x00F5;es sociais de estudantes com TEA compartilhadas por professores da rede municipal de ensino de Olinda, Pernambuco. Dessa forma, foi imprescind&#x00ED;vel analisar como as forma&#x00E7;&#x00F5;es continuadas em Educa&#x00E7;&#x00E3;o Inclusiva, promovidas pela rede de ensino, t&#x00EA;m contribu&#x00ED;do para assegurar a perman&#x00EA;ncia e, sobretudo, a aprendizagem desses estudantes a fim de explicar de que forma as representa&#x00E7;&#x00F5;es sociais dos docentes participantes do estudo repercutem na escolariza&#x00E7;&#x00E3;o de estudantes com TEA.</p>
<p>Com isso, o estudo buscou responder &#x00E0; quest&#x00E3;o de pesquisa: <italic>o que dizem os docentes sobre a inclus&#x00E3;o de estudantes com TEA?</italic> &#x00C0; elucida&#x00E7;&#x00E3;o dessa quest&#x00E3;o deu-se a partir do objetivo geral: analisar a natureza das representa&#x00E7;&#x00F5;es sociais de inclus&#x00E3;o de estudantes com TEA e sua escolariza&#x00E7;&#x00E3;o compartilhadas pelos professores dos anos iniciais do Ensino Fundamental da rede de Olinda-PE. Os objetivos espec&#x00ED;ficos, por sua vez, foram: identificar a exist&#x00EA;ncia e/ou necessidades formativas para atuar com estudante com TEA compartilhadas pelos docentes dos anos iniciais do Ensino Fundamental da rede municipal de Olinda-PE; examinar as propostas de forma&#x00E7;&#x00E3;o continuada em Educa&#x00E7;&#x00E3;o Inclusiva da rede municipal de Olinda-PE e verificar as aproxima&#x00E7;&#x00F5;es e distanciamentos entre as expectativas dos docentes e as forma&#x00E7;&#x00F5;es continuadas em Educa&#x00E7;&#x00E3;o Inclusiva propostas pela rede municipal de Olinda-PE.</p>
<p>O interesse pelo tema surgiu a partir da atua&#x00E7;&#x00E3;o da primeira autora como professora na sala de atendimento educacional especializado (SAEE) numa escola estadual com estudantes dos anos finais do Ensino Fundamental e do Ensino M&#x00E9;dio, oriundos, em sua maioria, de escolas da rede municipal. Assim, buscou-se entender as raz&#x00F5;es de receber estudantes da Educa&#x00E7;&#x00E3;o Especial da referida rede de ensino com acentuadas diferen&#x00E7;as em seu desenvolvimento em rela&#x00E7;&#x00E3;o aos demais estudantes.</p>
<p>O Estatuto da Pessoa com Defici&#x00EA;ncia, tamb&#x00E9;m conhecido como Lei Brasileira de Inclus&#x00E3;o -LBI (<xref ref-type="bibr" rid="ref-10-32398">Brasil, 2015</xref>), representa um marco significativo na promo&#x00E7;&#x00E3;o e defesa dos direitos humanos das pessoas com defici&#x00EA;ncia no Brasil. No contexto educacional, busca-se o desenvolvimento de a&#x00E7;&#x00F5;es de fortalecimento e afirma&#x00E7;&#x00E3;o da inclus&#x00E3;o escolar. Essa inclus&#x00E3;o perpassa n&#x00E3;o apenas pela forma&#x00E7;&#x00E3;o inicial de docentes, mas requer forma&#x00E7;&#x00F5;es continuadas e em servi&#x00E7;o. O fato &#x00E9; que at&#x00E9; pouco tempo as Institui&#x00E7;&#x00F5;es de Ensino Superior (IES) n&#x00E3;o ofereciam a Educa&#x00E7;&#x00E3;o Inclusiva como cr&#x00E9;dito obrigat&#x00F3;rio, eventualmente constava no perfil curricular como disciplinas optativas nos cursos de forma&#x00E7;&#x00E3;o de professores. Consequentemente, &#x00E9; poss&#x00ED;vel encontrar professores(as) atuando na Educa&#x00E7;&#x00E3;o B&#x00E1;sica sem a devida forma&#x00E7;&#x00E3;o nesse campo.</p>
<p>Segundo dados do <xref ref-type="bibr" rid="ref-20-32398">IBGE (2022)</xref>, 1,2% da popula&#x00E7;&#x00E3;o, cerca de 2,4 milh&#x00F5;es de brasileiros, est&#x00E3;o no espectro, o que refor&#x00E7;a a necessidade de as escolas oferecerem respostas educativas capazes de refletir no desenvolvimento desses estudantes. Isso, pode ocorrer por meio da socializa&#x00E7;&#x00E3;o entre os pares, na realiza&#x00E7;&#x00E3;o das atividades de vida di&#x00E1;ria e na constru&#x00E7;&#x00E3;o de conhecimentos.</p>
<p>A Educa&#x00E7;&#x00E3;o Inclusiva traz em seu arcabou&#x00E7;o a proposta da n&#x00E3;o segrega&#x00E7;&#x00E3;o de estudantes afastados dos padr&#x00F5;es de normalidade que a sociedade ainda imp&#x00F5;e e prop&#x00F5;e a conviv&#x00EA;ncia entre todos os estudantes em uma mesma sala de aula, independentemente de sua origem social, &#x00E9;tnica, religiosa, sem ou com defici&#x00EA;ncia. Essa abordagem preconiza a conviv&#x00EA;ncia com a diversidade, na qual todos os envolvidos no processo educativo se beneficiam, ora ensinando, ora aprendendo, ora refor&#x00E7;ando o aprendido; ou seja, aprendendo juntos.</p>
<p>Sobre o olhar da inclus&#x00E3;o educacional, cita-se a Pol&#x00ED;tica Nacional de Educa&#x00E7;&#x00E3;o Especial na Perspectiva da Educa&#x00E7;&#x00E3;o Inclusiva (<xref ref-type="bibr" rid="ref-8-32398">Brasil, 2008</xref>, item IV), que define como p&#x00FA;blico da Educa&#x00E7;&#x00E3;o Especial os estudantes com defici&#x00EA;ncia, transtornos globais do desenvolvimento, altas habilidades e superdota&#x00E7;&#x00E3;o. Al&#x00E9;m disso, esse documento assegura a transversalidade da Educa&#x00E7;&#x00E3;o Especial, indo desde a Educa&#x00E7;&#x00E3;o Infantil at&#x00E9; a Educa&#x00E7;&#x00E3;o Superior com atendimento educacional especializado. Neste sentido, <xref ref-type="bibr" rid="ref-12-32398">Costa (2015</xref>, p. 161) destaca que &#x00AB;&#x00E9; importante que as escolas, em seus projetos pol&#x00ED;ticos pedag&#x00F3;gicos deem &#x00EA;nfase a uma organiza&#x00E7;&#x00E3;o pedag&#x00F3;gica que reconhe&#x00E7;a e respeite as diferen&#x00E7;as de aprendizagem dos (as) alunos (as)&#x00BB;.</p>
<p>Em rela&#x00E7;&#x00E3;o aos professores(as) que j&#x00E1; se encontram em exerc&#x00ED;cio, sem a forma&#x00E7;&#x00E3;o necess&#x00E1;ria para atuar com estudantes com defici&#x00EA;ncia, refor&#x00E7;a-se que &#x00AB;&#x00E9; necess&#x00E1;rio que tal tema seja objeto de estudo e reflex&#x00E3;o por meio de cursos de forma&#x00E7;&#x00E3;o continuada&#x00BB; (<xref ref-type="bibr" rid="ref-6-32398">Brasil, 2002</xref>, p. 5). Para <xref ref-type="bibr" rid="ref-12-32398">Costa (2015)</xref>, ainda s&#x00E3;o percebidas grandes fragilidades no processo da garantia da inclus&#x00E3;o escolar que precisa ser superada a fim de que seja poss&#x00ED;vel a supera&#x00E7;&#x00E3;o das barreiras que dificultam o acesso e a aprendizagem de estudantes com defici&#x00EA;ncia na escola.</p>
<p>Neste mesmo sentido, <xref ref-type="bibr" rid="ref-17-32398">Fialho e Gon&#x00E7;alves (2004)</xref> afirmam que muitas s&#x00E3;o as indaga&#x00E7;&#x00F5;es sobre como desenvolver as compet&#x00EA;ncias necess&#x00E1;rias para a forma&#x00E7;&#x00E3;o do(a) professor(a) que, certamente, quando n&#x00E3;o desenvolvidas refor&#x00E7;am as desigualdades. O fato &#x00E9; que a forma&#x00E7;&#x00E3;o continuada &#x00E9; indispens&#x00E1;vel, mas da forma como vem acontecendo, nem sempre parece garantir mudan&#x00E7;as efetivas no interior da sala de aula.</p>
</sec>
<sec id="sec-2-32398">
<label>2.</label>
<title>A Educa&#x00E7;&#x00E3;o como direito humano inalien&#x00E1;vel</title>
<p>A premissa desta pesquisa &#x00E9; que a educa&#x00E7;&#x00E3;o &#x00E9; um direito humano e deve ser ofertada e garantida para todas as pessoas de forma equitativa. O Artigo 206 (Inciso I) da Constitui&#x00E7;&#x00E3;o da Rep&#x00FA;blica de 1988, tamb&#x00E9;m, elege como um dos princ&#x00ED;pios para o ensino, a igualdade de condi&#x00E7;&#x00F5;es no acesso e perman&#x00EA;ncia na escola (<xref ref-type="bibr" rid="ref-3-32398">Brasil, 1988</xref>). Nesse sentido, com o prop&#x00F3;sito de entender o que &#x00E9; necess&#x00E1;rio para a efetiva&#x00E7;&#x00E3;o desse direito, especialmente no que diz respeito ao papel do(a) professor(a) e &#x00E0; sua pr&#x00E1;tica pedag&#x00F3;gica, decidiu-se por examinar o tipo de rela&#x00E7;&#x00E3;o que pode ocorrer entre as representa&#x00E7;&#x00F5;es sociais de inclus&#x00E3;o de estudantes com TEA e sua escolariza&#x00E7;&#x00E3;o compartilhadas pelos professores dos anos iniciais do Ensino Fundamental da rede de Olinda-PE e o processo formativo desenvolvido por essa rede.</p>
<p>No Brasil, as pol&#x00ED;ticas p&#x00FA;blicas e os documentos curriculares defendem a Educa&#x00E7;&#x00E3;o Inclusiva como um direito social e humano. Tais esfor&#x00E7;os resultaram em avan&#x00E7;os significativos nos debates em defesa da inclus&#x00E3;o, especialmente nos &#x00FA;ltimos trinta anos. Essas pol&#x00ED;ticas promoveram mudan&#x00E7;as de paradigmas, ou seja, para alcan&#x00E7;ar o paradigma atual, houve o reconhecimento da supera&#x00E7;&#x00E3;o dos modelos de exclus&#x00E3;o, institucionaliza&#x00E7;&#x00E3;o e integra&#x00E7;&#x00E3;o (<xref ref-type="bibr" rid="ref-35-32398">Sassaki, 2010</xref>). Essa supera&#x00E7;&#x00E3;o ocorreu de forma n&#x00E3;o linear e tem sido permeada por lutas e resist&#x00EA;ncias.</p>
<p>No contexto desta supera&#x00E7;&#x00E3;o, podemos afirmar que o entendimento do trabalho escolar deve ir para al&#x00E9;m da a&#x00E7;&#x00E3;o pedag&#x00F3;gica que acontece entre os que sabem e os que n&#x00E3;o sabem; &#x00AB;porque exige a pr&#x00E1;tica de uma pedagogia diferenciada no desenvolvimento de um curr&#x00ED;culo comum que pratique estrat&#x00E9;gias diversificadas de aprendizagem e ensino, numa a&#x00E7;&#x00E3;o conjunta de esfor&#x00E7;os&#x00BB; (<xref ref-type="bibr" rid="ref-16-32398">Estev&#x00E3;o, 2013</xref>, p. 28). Sendo assim, conhecer as representa&#x00E7;&#x00F5;es sociais de estudantes com autismo compartilhadas por professores(as) pode apontar caminhos para explicar a rela&#x00E7;&#x00E3;o entre essas representa&#x00E7;&#x00F5;es sociais e as pr&#x00E1;ticas docentes, al&#x00E9;m de apontar necessidades formativas a serem supridas pelas pol&#x00ED;ticas p&#x00FA;blicas.</p>
<p>Ao tratar da Educa&#x00E7;&#x00E3;o Inclusiva, &#x00E9; indispens&#x00E1;vel reconhecer que ela deve estar alinhada a princ&#x00ED;pios constitucionais e em conson&#x00E2;ncia com temas contempor&#x00E2;neos que se articulam em defesa dos direitos humanos. Entende-se que a garantia do cumprimento dos princ&#x00ED;pios da Pol&#x00ED;tica Nacional de Educa&#x00E7;&#x00E3;o Especial na Perspectiva Inclusiva, como afirma <xref ref-type="bibr" rid="ref-25-32398">Mantoan (2010</xref>, p. 21), &#x201C;implica grandes transforma&#x00E7;&#x00F5;es na organiza&#x00E7;&#x00E3;o pedag&#x00F3;gica das escolas, na forma&#x00E7;&#x00E3;o dos professores, nos planos e metas educacionais&#x201D;.</p>
<p>O reconhecimento do direito de todos &#x00E0; educa&#x00E7;&#x00E3;o, conforme disposto nos Artigos 205 e 208, Inciso III, da CRFB/1988, assegura o Atendimento Educacional Especializado (AEE) para estudantes que necessitam desse suporte a fim de que possam ter acesso e aproveitamento nas classes do ensino regular. Nesse sentido, a Secretaria Nacional de Educa&#x00E7;&#x00E3;o Especial do Minist&#x00E9;rio da Educa&#x00E7;&#x00E3;o e Cultura (SEESP-MEC) enfatiza que o Projeto Pol&#x00ED;tico Pedag&#x00F3;gico (PPP) da escola deve contemplar o AEE como uma das dimens&#x00F5;es relacionadas &#x00E0; escola inclusiva e das diferen&#x00E7;as. Al&#x00E9;m disso, o curr&#x00ED;culo escolar deve abordar temas referentes &#x00E0;s pessoas com defici&#x00EA;ncia e implementar a&#x00E7;&#x00F5;es afirmativas para promover a inclus&#x00E3;o.</p>
<p>Essa abordagem &#x00E9; respaldada por institui&#x00E7;&#x00F5;es como a Secretaria Especial dos Direitos Humanos, o Minist&#x00E9;rio da Educa&#x00E7;&#x00E3;o, o Minist&#x00E9;rio da Justi&#x00E7;a e a Organiza&#x00E7;&#x00E3;o das Na&#x00E7;&#x00F5;es Unidas para a Educa&#x00E7;&#x00E3;o, a Ci&#x00EA;ncia e a Cultura (UNESCO), que incorporaram tais diretrizes no Plano Nacional de Educa&#x00E7;&#x00E3;o em Direitos Humanos (PNEDH), lan&#x00E7;ado em 2006 (<xref ref-type="bibr" rid="ref-7-32398">Brasil, 2006</xref>). Sob essa perspectiva, a Constitui&#x00E7;&#x00E3;o de 1988 (<xref ref-type="bibr" rid="ref-3-32398">Brasil, 1988</xref>), a Lei de Diretrizes e Bases da Educa&#x00E7;&#x00E3;o Nacional &#x2013; Lei n.&#x00BA; 9394/1996 (<xref ref-type="bibr" rid="ref-5-32398">Brasil, 1996</xref>) e o Estatuto da Crian&#x00E7;a e do Adolescente (ECA), Lei n&#x00BA; 8.069/1990, no seu Artigo 55, estabeleceram a matr&#x00ED;cula obrigat&#x00F3;ria de estudantes na rede regular de ensino como uma responsabilidade dos pais ou respons&#x00E1;veis (<xref ref-type="bibr" rid="ref-4-32398">Brasil, 1990</xref>).</p>
<p>Os dispositivos legais apontam para uma responsabilidade compartilhada de forma a fortalecer o direito de conviver uns com os outros que &#x00E9; um dos quatro pilares da educa&#x00E7;&#x00E3;o nacional. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais An&#x00ED;sio Teixeira (INEP) realiza, anualmente, o levantamento de dados estat&#x00ED;sticos educacionais por meio do Censo Escolar, sendo de suma import&#x00E2;ncia que estudantes da Educa&#x00E7;&#x00E3;o Especial na perspectiva da Educa&#x00E7;&#x00E3;o Inclusiva sejam devidamente informados pela escola, para que as pol&#x00ED;ticas p&#x00FA;blicas contemplem essa modalidade de ensino com a implementa&#x00E7;&#x00E3;o dos programas e projetos.</p>
    <p>Al&#x00E9;m das leis, decretos, portarias e resolu&#x00E7;&#x00F5;es nacionais pode-se contar com os documentos internacionais que respaldam e legitimam as leis nacionais, dada a abrang&#x00EA;ncia de pa&#x00ED;ses na mesma dire&#x00E7;&#x00E3;o de uma educa&#x00E7;&#x00E3;o para todas as pessoas, como fez a <xref ref-type="bibr" rid="ref-15-32398">Declara&#x00E7;&#x00E3;o Mundial de Educa&#x00E7;&#x00E3;o para Todos (1990)</xref>, a <xref ref-type="bibr" rid="ref-14-32398">Declara&#x00E7;&#x00E3;o de Salamanca (1994)</xref>, a <xref ref-type="bibr" rid="ref-11-32398">Conven&#x00E7;&#x00E3;o da Guatemala (1999)</xref> e a <xref ref-type="bibr" rid="ref-32-32398">Conven&#x00E7;&#x00E3;o sobre os Direitos das Pessoas com Defici&#x00EA;ncia (2006)</xref>.</p>
<p>Tais documentos, versam sobre o imperativo de garantir uma escola democr&#x00E1;tica, comprometida em ofertar uma educa&#x00E7;&#x00E3;o de qualidade social que se coadune com as pr&#x00E1;ticas pedag&#x00F3;gicas inclusivas, com o objetivo de incluir todos os estudantes. Nesse sentido, afirma Santos (1995 citado em <xref ref-type="bibr" rid="ref-24-32398">Mantoan, 2006</xref>):</p>
<disp-quote>
<p>Nem todas as diferen&#x00E7;as necessariamente inferiorizam as pessoas. H&#x00E1; diferen&#x00E7;as e h&#x00E1; igualdades &#x2012; nem tudo deve ser igual, assim como nem tudo deve ser diferente. &#x00C9; preciso que tenhamos o direito de sermos diferentes quando a igualdade nos descaracteriza e o direito de sermos iguais quando a diferen&#x00E7;a nos inferioriza (p. 25).</p>
</disp-quote>
<p>O fato &#x00E9; que a LBI (<xref ref-type="bibr" rid="ref-10-32398">Brasil, 2015</xref>), ampliou a garantia de direitos n&#x00E3;o s&#x00F3; para a rede p&#x00FA;blica de ensino, tamb&#x00E9;m, para a rede privada estabelecendo puni&#x00E7;&#x00E3;o para atitudes discriminat&#x00F3;rias, como cobran&#x00E7;a de valores adicionais em matr&#x00ED;culas e mensalidades de estudantes com defici&#x00EA;ncia, reafirmando que cabe ao poder p&#x00FA;blico ofertar recursos de acessibilidade e garantir o pleno acesso ao curr&#x00ED;culo em condi&#x00E7;&#x00F5;es de igualdade. A lei supracitada, ainda, prev&#x00EA; a presen&#x00E7;a do profissional de apoio escolar, para exercer atividade de alimenta&#x00E7;&#x00E3;o, higiene e locomo&#x00E7;&#x00E3;o do estudante com defici&#x00EA;ncia e atua em todas as atividades escolares nas quais sua atuação se fizer necessárias, em todos os n&#x00ED;veis e modalidades de ensino.</p>
</sec>
<sec id="sec-3-32398">
<label>3.</label>
<title>A Educa&#x00E7;&#x00E3;o Especial no Brasil</title>
<p>No Brasil, o in&#x00ED;cio da escolariza&#x00E7;&#x00E3;o dos estudantes da Educa&#x00E7;&#x00E3;o Especial remonta ao imp&#x00E9;rio com a cria&#x00E7;&#x00E3;o do Instituto dos Meninos Cegos, atualmente, denominado Instituto Benjamim Constant (IBC) voltado &#x00E0; educa&#x00E7;&#x00E3;o de pessoas cegas em 1854 e do Instituto dos Surdos-Mudos, para educa&#x00E7;&#x00E3;o das pessoas surdas em 1857, o que hoje &#x00E9; denominado Instituto Nacional para Educa&#x00E7;&#x00E3;o dos Surdos (INES). O fato &#x00E9; que essas institui&#x00E7;&#x00F5;es inauguraram a escola especial para atender as especificidades sensoriais de cegueira e surdez para uma parte das pessoas com defici&#x00EA;ncia (<xref ref-type="bibr" rid="ref-21-32398">Jannuzzi, 1992</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="ref-22-32398">2004</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="ref-26-32398">Mazzotta, 2005</xref>).</p>
<p>A cria&#x00E7;&#x00E3;o desses institutos demarcou a distin&#x00E7;&#x00E3;o entre as pessoas com defici&#x00EA;ncia das demais, historicamente, exclu&#x00ED;das como mulheres, negros, pobres, entre outras minorias. Entretanto, as pessoas com defici&#x00EA;ncia f&#x00ED;sica e intelectual, por exemplo, ficaram sem assist&#x00EA;ncia por d&#x00E9;cadas demonstrando a morosidade em avan&#x00E7;ar no sentido de contemplar outras necessidades educativas. Apenas no in&#x00ED;cio do S&#x00E9;culo XX foram criadas as primeiras institui&#x00E7;&#x00F5;es para crian&#x00E7;as conjugadas aos sanat&#x00F3;rios psiqui&#x00E1;tricos, inaugurando no Brasil um movimento chamado higienismo. Essa abordagem, deu origem aos servi&#x00E7;os de higiene mental e sa&#x00FA;de p&#x00FA;blica, em que alguns estados passaram a adot&#x00E1;-lo em forma de inspe&#x00E7;&#x00E3;o m&#x00E9;dico-escolar para a identifica&#x00E7;&#x00E3;o e educa&#x00E7;&#x00E3;o dos que fossem verificados com desvios dos padr&#x00F5;es normais de intelig&#x00EA;ncia (<xref ref-type="bibr" rid="ref-21-32398">Jannuzzi, 1992</xref>).</p>
<p>O movimento da escola nova permitiu a interven&#x00E7;&#x00E3;o da psicologia na educa&#x00E7;&#x00E3;o, caracterizando a vertente psicopedag&#x00F3;gica, com a utiliza&#x00E7;&#x00E3;o dos testes de intelig&#x00EA;ncia na identifica&#x00E7;&#x00E3;o de pessoas com defici&#x00EA;ncia intelectual (<xref ref-type="bibr" rid="ref-27-32398">Mendes &#x0026; Pereira, 2020</xref>). Em 1932 foi fundada a Sociedade Pestalozzi de Minas Gerais, o que influenciou a expans&#x00E3;o da rede de Educa&#x00E7;&#x00E3;o Especial e contribuiu para o movimento que culminou na implanta&#x00E7;&#x00E3;o da Associa&#x00E7;&#x00E3;o de Amigos e Pais dos Excepcionais (APAE) em 1954.</p>
<p>Esse movimento resultou na forma&#x00E7;&#x00E3;o de uma rede de escolas especializadas em defici&#x00EA;ncias m&#x00FA;ltiplas e defici&#x00EA;ncia intelectual. Posteriormente, essas escolas passaram a acolher, tamb&#x00E9;m, pessoas com TEA gra&#x00E7;as a organiza&#x00E7;&#x00F5;es de pais de pessoas com defici&#x00EA;ncia que pressionaram por inclus&#x00E3;o e igualdade.</p>
</sec>
<sec id="sec-4-32398">
<label>4.</label>
<title>A aprendizagem do estudante com TEA</title>
<p>A educa&#x00E7;&#x00E3;o de estudantes com TEA vem sendo motivo de muitos questionamentos e resist&#x00EA;ncias referentes &#x00E0; sua inclus&#x00E3;o nas escolas de ensino regular, mesmo tendo a defesa de v&#x00E1;rios estudiosos e pesquisadores, a saber: <xref ref-type="bibr" rid="ref-13-32398">Cunha (2012)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="ref-33-32398">Orr&#x00FA; (2012)</xref>, dentre outros. O psiquiatra Leo Kanner, nomeou o termo autismo por volta de 1943, do grego &#x00AB;<italic>Autos&#x00BB;</italic>, que quer dizer <italic>volta-se para si mesmo</italic> e &#x00AB;<italic>ismo</italic>&#x00BB; como <italic>algo que se repete</italic>, de forma a descrever o afastamento do mundo exterior observado em adultos com esquizofrenia.</p>
<p>Kanner trouxe uma abordagem inovadora aos m&#x00E9;todos de pesquisa envolvendo crian&#x00E7;as que, desde o in&#x00ED;cio, manifestavam comportamentos isolados, como se estivessem alheias ao mundo externo. Essas crian&#x00E7;as, demonstravam dificuldades em lidar com mudan&#x00E7;as em suas rotinas e apresentavam uma marcante prefer&#x00EA;ncia por objetos em detrimento da intera&#x00E7;&#x00E3;o com outras pessoas. O fato &#x00E9; que o TEA n&#x00E3;o se restringe apenas a uma ra&#x00E7;a, cor ou grupo social, sendo caracterizado por d&#x00E9;ficit na intera&#x00E7;&#x00E3;o social do sujeito, afetando a comunica&#x00E7;&#x00E3;o e o comportamento. No entanto, s&#x00E3;o v&#x00E1;rios os subtipos dos transtornos, por isso, usam-se o termo &#x00AB;espectro&#x00BB; pelos v&#x00E1;rios n&#x00ED;veis de comprometimentos.</p>
<p>No contexto da Educa&#x00E7;&#x00E3;o Inclusiva, a participa&#x00E7;&#x00E3;o efetiva de todos os membros da comunidade escolar desempenha um papel fundamental. Isso envolve n&#x00E3;o apenas a elabora&#x00E7;&#x00E3;o, mas a implementa&#x00E7;&#x00E3;o do Projeto Pol&#x00ED;tico Pedag&#x00F3;gico (PPP), com vistas a promover a integra&#x00E7;&#x00E3;o de todos os estudantes. A intera&#x00E7;&#x00E3;o social desempenha um papel relevante no processo educacional desses estudantes, proporcionando um ambiente adequado &#x00E0; aprendizagem. &#x00C9; essencial que os(as) professores(as) estejam preparados(as) para utilizar m&#x00E9;todos pedag&#x00F3;gicos que apoiem essa pr&#x00E1;tica inclusiva e que trabalhem em parceria com as fam&#x00ED;lias e a comunidade escolar.</p>
<p>Ao trabalhar com crian&#x00E7;as com TEA &#x00E9; necess&#x00E1;rio abordar suas necessidades espec&#x00ED;ficas, considerando a integra&#x00E7;&#x00E3;o harmoniosa de seus processos cognitivos e emocionais. Isso implica reconhecer a import&#x00E2;ncia do apoio social adequado na modifica&#x00E7;&#x00E3;o das trajet&#x00F3;rias de desenvolvimento, permitindo que essas crian&#x00E7;as alcancem habilidades cognitivas e emocionais mais adaptativas (<xref ref-type="bibr" rid="ref-18-32398">Gonz&#x00E1;lez et al., 2021</xref>).</p>
<p>Com efeito, a efetiva&#x00E7;&#x00E3;o da Educa&#x00E7;&#x00E3;o Inclusiva enfrenta desafios significativos ao lidar com pessoas com TEA. Estes desafios incluem as atitudes dos(as) professores(as) em rela&#x00E7;&#x00E3;o &#x00E0; inclus&#x00E3;o, a necessidade de prepara&#x00E7;&#x00E3;o adequada para lidar com diferentes n&#x00ED;veis de gravidade do TEA e a disponibilidade de recursos psicol&#x00F3;gicos e pedag&#x00F3;gicos para atender &#x00E0;s demandas dos estudantes e suas fam&#x00ED;lias. Al&#x00E9;m disso, a detec&#x00E7;&#x00E3;o e a interven&#x00E7;&#x00E3;o precoce desempenham um papel fundamental no progn&#x00F3;stico e no desenvolvimento dessas pessoas (<xref ref-type="bibr" rid="ref-19-32398">Harder &#x0026; et al., 2020</xref>).</p>
<p>Como forma de ampliar os direitos, a Lei n. &#x00B0; 12.764, de 27 de dezembro de <xref ref-type="bibr" rid="ref-9-32398">2012</xref>, instituiu a Pol&#x00ED;tica Nacional de Prote&#x00E7;&#x00E3;o dos Direitos da Pessoa com TEA, para efeito desta Lei s&#x00E3;o consideradas com TEA as pessoas que apresentam s&#x00ED;ndrome cl&#x00ED;nica caracterizada por [1] defici&#x00EA;ncia persistente e clinicamente significativa da comunica&#x00E7;&#x00E3;o e da intera&#x00E7;&#x00E3;o social, manifestada defici&#x00EA;ncia marcada de comunica&#x00E7;&#x00E3;o verbal e n&#x00E3;o verbal usada para intera&#x00E7;&#x00E3;o social; [2] aus&#x00EA;ncia de reciprocidade social; [3] fal&#x00EA;ncia em desenvolver e manter rela&#x00E7;&#x00F5;es apropriadas ao seu n&#x00ED;vel de desenvolvimento; [4] padr&#x00F5;es restritivos e repetitivos de comportamentos, interesses e atividades, manifestadas por comportamentos motores ou verbais estereotipados ou por comportamentos sensoriais incomuns; [5] excessiva ader&#x00EA;ncia a rotinas e padr&#x00F5;es de comportamentos ritualizados e [6] interesses restritos e fixos.</p>
<p>Desse modo, a pessoa com TEA passa a ser considerada pessoa com defici&#x00EA;ncia, portanto, p&#x00FA;blico da Educa&#x00E7;&#x00E3;o Especial. Neste sentido, pontua-se o Art. 2. &#x00B0; que aponta como uma das diretrizes o incentivo &#x00E0; forma&#x00E7;&#x00E3;o e &#x00E0; capacita&#x00E7;&#x00E3;o de profissionais especializados no atendimento &#x00E0; pessoa com TEA, bem como a pais e respons&#x00E1;veis.</p>
</sec>
<sec id="sec-5-32398">
<label>5.</label>
<title>A Teoria das Representa&#x00E7;&#x00F5;es Sociais</title>
<p>A Teoria das Representa&#x00E7;&#x00F5;es Sociais (TRS), elaborada por Serge <xref ref-type="bibr" rid="ref-28-32398">Moscovici (1961)</xref>, partiu da cr&#x00ED;tica &#x00E0;s representa&#x00E7;&#x00F5;es coletivas de &#x00C9;mile Durkheim. Enquanto Durkheim atribu&#x00ED;a um car&#x00E1;ter homog&#x00EA;neo ao pensamento coletivo, <xref ref-type="bibr" rid="ref-29-32398">Moscovici (2003)</xref> prop&#x00F4;s que as representa&#x00E7;&#x00F5;es sociais emergem da intera&#x00E7;&#x00E3;o entre indiv&#x00ED;duos e grupos, sendo din&#x00E2;micas e heterog&#x00EA;neas. Essas representa&#x00E7;&#x00F5;es constituem constru&#x00E7;&#x00F5;es simb&#x00F3;licas capazes de transformar o desconhecido em algo familiar, facilitando a compreens&#x00E3;o e a comunica&#x00E7;&#x00E3;o no cotidiano.</p>
<p>Desde a d&#x00E9;cada de 1980, a TRS expandiu-se para &#x00E1;reas como Ci&#x00EA;ncias Sociais e Educa&#x00E7;&#x00E3;o, com contribui&#x00E7;&#x00F5;es de pesquisadores como Denise Jodelet, Jean Claude Abric e Michel Gilly. <xref ref-type="bibr" rid="ref-1-32398">Abric (2000)</xref>, a partir da abordagem estrutural, introduziu conceitos como o n&#x00FA;cleo central e o sistema perif&#x00E9;rico, contribuindo com a organiza&#x00E7;&#x00E3;o cognitiva das representa&#x00E7;&#x00F5;es. <xref ref-type="bibr" rid="ref-23-32398">Jodelet (2001)</xref>, por sua vez, enfatizou a dimens&#x00E3;o sociocultural, enquanto a abordagem societal, mais recente, tem explorado a influ&#x00EA;ncia de contextos hist&#x00F3;ricos e culturais na forma&#x00E7;&#x00E3;o de representa&#x00E7;&#x00F5;es (<xref ref-type="bibr" rid="ref-36-32398">Sousa &#x0026; Souza, 2021</xref>).</p>
<p>A TRS possui quatro fun&#x00E7;&#x00F5;es principais: <italic>saber, identidade, orienta&#x00E7;&#x00E3;o e justifica&#x00E7;&#x00E3;o</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="ref-29-32398">Moscovici, 2003</xref>). A fun&#x00E7;&#x00E3;o saber permite compreender a realidade, enquanto a identit&#x00E1;ria refor&#x00E7;a as caracter&#x00ED;sticas de grupo. A fun&#x00E7;&#x00E3;o de orienta&#x00E7;&#x00E3;o direciona comportamentos, e a justificadora racionaliza as pr&#x00E1;ticas. Essas fun&#x00E7;&#x00F5;es s&#x00E3;o fundamentais para explorar como docentes percebem e explicam a inclus&#x00E3;o de estudantes com TEA, identificando necessidades formativas e pr&#x00E1;ticas pedag&#x00F3;gicas alinhadas &#x00E0; realidade educacional (<xref ref-type="bibr" rid="ref-2-32398">Amaral &#x0026; Silva, 2013</xref>).</p>
<p>Neste estudo, a abordagem estrutural foi adotada para analisar as representa&#x00E7;&#x00F5;es sociais sobre estudantes com TEA, utilizando o termo indutor &#x00AB;estudantes com autismo na escola&#x00BB; como base para a coleta de dados. Esse enfoque permitiu compreender como pr&#x00E1;ticas e valores dos docentes refletem-se em suas a&#x00E7;&#x00F5;es pedag&#x00F3;gicas. A TRS revelou-se uma ferramenta te&#x00F3;rica essencial para investigar os desafios e as possibilidades de inclus&#x00E3;o educacional, promovendo reflex&#x00F5;es sobre pr&#x00E1;ticas mais inclusivas e equitativas no ambiente escolar.</p>
<p>Diante disso, destaca-se a relev&#x00E2;ncia da Teoria das Representa&#x00E7;&#x00F5;es Sociais para o problema de pesquisa, uma vez que ela ofereceu o quadro te&#x00F3;rico e metodol&#x00F3;gico para compreender como os professores constroem, organizam e comunicam seus saberes, cren&#x00E7;as e pr&#x00E1;ticas em rela&#x00E7;&#x00E3;o ao autismo. Por meio da TRS, analisaram-se as representa&#x00E7;&#x00F5;es sociais dos docentes, identificando seu n&#x00FA;cleo central (as concep&#x00E7;&#x00F5;es mais est&#x00E1;veis sobre o TEA) e seus sistemas perif&#x00E9;ricos (os aspectos contextuais e adaptativos), bem como as fun&#x00E7;&#x00F5;es dessas representa&#x00E7;&#x00F5;es, como a orienta&#x00E7;&#x00E3;o de condutas e a justifica&#x00E7;&#x00E3;o de pr&#x00E1;ticas pedag&#x00F3;gicas. A teoria n&#x00E3;o apenas revelou o conte&#x00FA;do coletado pelo Teste de Associa&#x00E7;&#x00E3;o Livre de Palavras, mas explicou como tais representa&#x00E7;&#x00F5;es influenciam a inclus&#x00E3;o escolar, o que permitiu identificar necessidades formativas e subsidiar reflex&#x00F5;es sobre pr&#x00E1;ticas educacionais mais conscientes e inclusivas.</p>
</sec>
<sec id="sec-6-32398">
<label>6.</label>
<title>Procedimentos metodol&#x00F3;gicos</title>
<p>O presente estudo adotou uma abordagem qualitativa do tipo estudo de caso, descritivo interpretativo. De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="ref-37-32398">Yin (2005</xref>, p. 32), o estudo de caso &#x00AB;&#x00E9; uma investiga&#x00E7;&#x00E3;o emp&#x00ED;rica que investiga um fen&#x00F4;meno contempor&#x00E2;neo dentro do seu contexto de vida real, especialmente quando os limites entre o fen&#x00F4;meno e o contexto n&#x00E3;o est&#x00E3;o claramente definidos&#x00BB;.</p>
<p>Participaram da pesquisa 35 professores que atuavam nas tr&#x00EA;s escolas com maior incid&#x00EA;ncia de matr&#x00ED;cula de estudantes com TEA nos anos iniciais do Ensino Fundamental da rede municipal de Olinda, Pernambuco. A primeira etapa da coleta de dados consistiu em um Teste de Associa&#x00E7;&#x00E3;o Livre de Palavras (TALP), aplicado por meio de um question&#x00E1;rio com o termo indutor &#x00AB;estudante com autismo na escola&#x00BB;. Desse grupo, seis participantes foram selecionados para a segunda etapa, que consistiu em entrevistas semiestruturadas voltadas &#x00E0; identifica&#x00E7;&#x00E3;o do campo sem&#x00E2;ntico das evoca&#x00E7;&#x00F5;es que comp&#x00F5;em o n&#x00FA;cleo central.</p>
<p>A prop&#x00F3;sito do perfil et&#x00E1;rio e formativo dos participantes, verificou-se que 11,4 % tinham entre 25 e 31 anos; 14,3 % estava na faixa et&#x00E1;ria de 32 a 38 anos, e a maioria, aproximadamente 74,3 %, tinha mais de 38 anos. Em rela&#x00E7;&#x00E3;o &#x00E0; &#x00E1;rea de forma&#x00E7;&#x00E3;o, o <xref ref-type="fig" rid="fig-1-32398">Gr&#x00E1;fico 1</xref> mostra que a maior parte dos participantes possui licenciatura em Pedagogia (85,7 %).</p>
<fig id="fig-1-32398">
<label>Gr&#x00E1;fico 1.</label>
<caption><title>&#x00C1;rea de forma&#x00E7;&#x00E3;o.</title></caption>
<alt-text>&#x00C1;rea de forma&#x00E7;&#x00E3;o.</alt-text>
<graphic xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xlink:href="fig-1-32398.jpg"/>
<attrib>Fonte: Elabora&#x00E7;&#x00E3;o dos autores.</attrib>
</fig>
<p>A an&#x00E1;lise dos dados foi realizada &#x00E0; luz da Teoria do N&#x00FA;cleo Central (abordagem estrutural) proposta por <xref ref-type="bibr" rid="ref-1-32398">Abric (2000)</xref>. Em observ&#x00E2;ncia &#x00E0;s diretrizes da Resolu&#x00E7;&#x00E3;o n. &#x00BA;. 466/12 do Conselho Nacional de Sa&#x00FA;de, o estudo foi conduzido em conformidade com os preceitos &#x00E9;ticos e legais aplic&#x00E1;veis a pesquisas com seres humanos. O projeto foi avaliado e aprovado pelo Comit&#x00EA; de &#x00C9;tica em Pesquisa (CEP/CONEP), sob o Parecer n.&#x00BA; 6.907.415, emitido em 25 de junho de 2024.</p>
</sec>
<sec id="sec-7-32398">
<label>7.</label>
<title>Representa&#x00E7;&#x00F5;es sociais de estudantes com TEA e a forma&#x00E7;&#x00E3;o docente</title>
<p>As principais dificuldades apontadas pelos professores participantes da pesquisa, ser&#x00E3;o apresentadas nesta sess&#x00E3;o a partir dos elementos coletados e exemplos de algumas respostas, quer sejam vinculadas ao estudante, &#x00E0; forma&#x00E7;&#x00E3;o docente ou aos recursos materiais e humanos conforme apresentado no <xref ref-type="table" rid="tabw-1-32398">Quadro 1</xref>.</p>
<table-wrap id="tabw-1-32398">
<label>Quadro 1.</label>
<caption><title>Principais dificuldades para lidar com estudantes com autismo</title></caption>
<table id="tab-1-32398" frame="hsides" border="1" rules="all">
<col width="70%"/>
<col width="30%"/>
<thead>
<tr>
<th valign="top" align="center"><p><bold>TIPO DE RESPOSTA</bold></p></th>
<th valign="top" align="center"><p><bold>FREQU&#x00CA;NCIA ABSOLUTA</bold></p></th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td valign="top" align="left"><p><bold>1.</bold> Falta de aten&#x00E7;&#x00E3;o e concentra&#x00E7;&#x00E3;o; dificuldades na comunica&#x00E7;&#x00E3;o, socializa&#x00E7;&#x00E3;o, intera&#x00E7;&#x00E3;o e aprendizagem; baixa frequ&#x00EA;ncia.</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>7</p></td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" align="left"><p><bold>2.</bold> Falta forma&#x00E7;&#x00E3;o espec&#x00ED;fica; ang&#x00FA;stia de n&#x00E3;o conseguir ajudar o estudante e incerteza se est&#x00E3;o sendo atendidas as suas necessidades; adaptar e preparar atividades diferenciadas para cada estudante em suas particularidades.</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>10</p></td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" align="left"><p><bold>3.</bold> Estudantes sem laudo, com necessidade de suporte cl&#x00ED;nico especializado e equipe multidisciplinar, falta apoio dos pais, AFE, auxiliar, estagi&#x00E1;rio, apoio escolar e pessoas qualificadas para auxiliar o professor. Falta estructura e recursos materiais espec&#x00ED;ficos.</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>18</p></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<table-wrap-foot>
<attrib>Fonte: Elabora&#x00E7;&#x00E3;o dos autores.</attrib>
</table-wrap-foot>
</table-wrap>
<p>Frequentemente, foi atribu&#x00ED;do ao estudante com autismo dificuldades em rela&#x00E7;&#x00E3;o a aten&#x00E7;&#x00E3;o e concentra&#x00E7;&#x00E3;o, no que se refere a comunica&#x00E7;&#x00E3;o, h&#x00E1; aqueles n&#x00E3;o verbais, o que imp&#x00F5;e um desafio ainda maior, requerendo habilidades singulares por parte do professor. Entretanto, percebe-se que essa habilidade ainda estar por se desenvolver, quando se trata de ensinar a todos os estudantes da turma, comprometendo a otimiza&#x00E7;&#x00E3;o das possibilidades de desenvolvimento que esses estudantes apresentam, em vez de refor&#x00E7;ar seus <italic>d&#x00E9;ficits</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="ref-18-32398">Gonz&#x00E1;lez et al., 2021</xref>).</p>
<p>As dificuldades observadas pelos docentes em lidar com estudantes com autismo na escola refor&#x00E7;am a import&#x00E2;ncia da forma&#x00E7;&#x00E3;o docente para a mudan&#x00E7;a de postura e compreens&#x00E3;o acerca do fen&#x00F4;meno do TEA:</p>
<disp-quote>
<p>A intera&#x00E7;&#x00E3;o da crian&#x00E7;a com outros estudantes, porque ele n&#x00E3;o consegue se entrosar com a turma, gosta de estar s&#x00F3; em seu mundinho (Professor 6, especialista, mais de 10 anos de experi&#x00EA;ncia).</p>
</disp-quote>
<p>H&#x00E1; uma tend&#x00EA;ncia em destacar as dificuldades em vez das potencialidades, muitas vezes ligadas &#x00E0;s expectativas j&#x00E1; superadas de &#x00AB;estudante ideal&#x00BB; e de turmas homog&#x00EA;neas, o que nunca existiu. Tamb&#x00E9;m se percebe uma vis&#x00E3;o simplista, que reduz a pessoa com TEA a algu&#x00E9;m isolado em seu pr&#x00F3;prio mundo. Dentre as dificuldades elencadas para lidar com o estudante com autismo, os professores refor&#x00E7;aram a car&#x00EA;ncia de um programa de forma&#x00E7;&#x00E3;o continuada em Educa&#x00E7;&#x00E3;o Inclusiva. O trabalho escolar deve ir para al&#x00E9;m da a&#x00E7;&#x00E3;o pedag&#x00F3;gica que acontece entre os que sabem e os que n&#x00E3;o sabem; &#x00AB;porque exige a pr&#x00E1;tica de uma pedagogia diferenciada no desenvolvimento de um curr&#x00ED;culo comum que pratique estrat&#x00E9;gias diversificadas de aprendizagem e ensino, numa a&#x00E7;&#x00E3;o conjunta de esfor&#x00E7;os&#x00BB; (<xref ref-type="bibr" rid="ref-16-32398">Estev&#x00E3;o, 2013</xref>, p. 28). Conforme destacado por <xref ref-type="bibr" rid="ref-12-32398">Costa (2015)</xref>, evidencia-se a fragilidade do sistema escolar na promo&#x00E7;&#x00E3;o da inclus&#x00E3;o.</p>
<disp-quote>
<p>Falta de conhecimento do professor atrav&#x00E9;s de forma&#x00E7;&#x00F5;es espec&#x00ED;ficas para atender as necessidades dos diferentes n&#x00ED;veis em que o estudante se encontra (Professor 2, especialista, com mais de 5 anos de experi&#x00EA;ncia).</p>
</disp-quote>
<p>Em s&#x00ED;ntese, os professores destacam fragilidades nas estruturas f&#x00ED;sicas das escolas e reconhecem a import&#x00E2;ncia de um ambiente adequado para acolher os estudantes e cumprir o seu papel. Espa&#x00E7;os f&#x00ED;sicos acess&#x00ED;veis, arejados, claros, amplos e limpos s&#x00E3;o essenciais. Por outro lado, salas lotadas, quentes, empoeiradas e mal iluminadas comprometem a sa&#x00FA;de e a aprendizagem, gerando irritabilidade, agita&#x00E7;&#x00E3;o e barulho. Al&#x00E9;m disso, a falta ou escassez de materiais did&#x00E1;ticos pode comprometer a qualidade das interven&#x00E7;&#x00F5;es docentes.</p>
<p>A respeito das evoca&#x00E7;&#x00F5;es, os participantes associaram 175 palavras ao termo indutor &#x00AB;estudante com autismo na escola&#x00BB;. O <xref ref-type="table" rid="tabw-2-32398">Quadro 2</xref>, elaborado por meio da plataforma OpenEvoc, apresenta os termos com maior frequ&#x00EA;ncia e grau de import&#x00E2;ncia.</p>
<table-wrap id="tabw-2-32398">
<label>Quadro 2.</label>
<caption><title>Organiza&#x00E7;&#x00E3;o das representa&#x00E7;&#x00F5;es sociais de estudantes com transtorno do espectro autista compartilhadas por professores do Ensino Fundamental da Rede Municipal de Olinda-PE</title></caption>
<table id="tab-2-32398" frame="hsides" border="1" rules="all">
<col width="10%"/>
<col width="10%"/>
<col width="15%"/>
<col width="25%"/>
<col width="10%"/>
<col width="15%"/>
<col width="15%"/>
<tbody>
<tr>
<td valign="top" align="center" rowspan="10"><p><bold>FREQU&#x00CA;NCIA &#x003E; 4,64</bold></p></td>
<td valign="top" align="center" colspan="4"><p><bold>ORDEM DE EVOCA&#x00C7;&#x00C3;O &#x003C; 2,72</bold></p></td>
<td valign="top" align="center" colspan="2"><p><bold>ORDEM DE EVOCA&#x00C7;&#x00C3;O &#x003E; 2.72</bold></p></td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" align="center" colspan="4"><p><bold>CASA 1 - ELEMENTOS CENTRAIS</bold></p></td>
<td valign="top" align="center" colspan="2"><p><bold>CASA 2 - 1<sup>a</sup> PERIFERIA</bold></p></td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" align="center"><p>10</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>1,90%</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>Desafio</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>16</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>2,81%</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>Inclus&#x00E3;o</p></td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" align="center"><p>8</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>2,13%</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>Amor</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>6</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>3,33%</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>Aprendizagem</p></td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" align="center"><p>7</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>2,57%</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>Aten&#x00E7;&#x00E3;o</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>5</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>3,60%</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>Acolhimento</p></td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" align="center"><p>6</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>2,33%</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>Dificuldade</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>5</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>3,20%</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>Empatia</p></td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" align="center"><p>5</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>2,60%</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>Apoio</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>5</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>3,40%</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>Fam&#x00ED;lia</p></td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" align="center"><p>5</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>2,00%</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>Forma&#x00E7;&#x00E3;o</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>5</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>2,80%</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>Paci&#x00EA;ncia</p></td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" align="center"></td>
<td valign="top" align="center"></td>
<td valign="top" align="center"></td>
<td valign="top" align="center"><p>5</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>3,20%</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>Respeito</p></td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" align="center" colspan="4"><p><bold>CASA 3 - ZONA DE CONTRASTE</bold></p></td>
<td valign="top" align="center" colspan="2"><p><bold>CASA 4-2<sup>a</sup> PERIFERIA</bold></p></td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" align="center" rowspan="13"><p><bold>FREQU&#x00CA;NCIA &#x003C; 4.64</bold></p></td>
<td valign="top" align="center"><p>3</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>2,67%</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>Carinho</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>4</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>4,50%</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>Acompanhamento</p></td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" align="center"><p>3</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>2,33%</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>Dedica&#x00E7;&#x00E3;o</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>4</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>2,75%</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>Direito</p></td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" align="center"><p>2</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>2,50%</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>Socializa&#x00E7;&#x00E3;o</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>4</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>4,25%</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>Preocupa&#x00E7;&#x00E3;o</p></td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" align="center"><p>2</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>2,00%</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>Diversidade</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>4</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>3,67%</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>Adapta&#x00E7;&#x00E3;o</p></td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" align="center"><p>2</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>2,00%</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>Material</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>3</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>3,33%</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>Cuidado</p></td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" align="center"><p>2</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>2,50%</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>Motiva&#x00E7;&#x00E3;o</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>3</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>3,50%</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>Desenvolvimento</p></td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" align="center"><p>2</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>2,50%</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>Pesquisa</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>2</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>4,00%</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>AEE</p></td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" align="center"></td>
<td valign="top" align="center"></td>
<td valign="top" align="center"></td>
<td valign="top" align="center"><p>2</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>4,00%</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>Atividade</p></td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" align="center"></td>
<td valign="top" align="center"></td>
<td valign="top" align="center"></td>
<td valign="top" align="center"><p>2</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>3,50%</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>Conhecimento</p></td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" align="center"></td>
<td valign="top" align="center"></td>
<td valign="top" align="center"></td>
<td valign="top" align="center"><p>2</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>5,00%</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>Exclus&#x00E3;o</p></td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" align="center"></td>
<td valign="top" align="center"></td>
<td valign="top" align="center"></td>
<td valign="top" align="center"><p>2</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>3,00%</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>Incerteza</p></td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" align="center"></td>
<td valign="top" align="center"></td>
<td valign="top" align="center"></td>
<td valign="top" align="center"><p>2</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>3,50%</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>Intera&#x00E7;&#x00E3;o</p></td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" align="center"></td>
<td valign="top" align="center"></td>
<td valign="top" align="center"></td>
<td valign="top" align="center"><p>2</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>3,00%</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>Verdade</p></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<table-wrap-foot>
<attrib>Fonte: Elabora&#x00E7;&#x00E3;o dos autores a partir do openEvoc (<xref ref-type="bibr" rid="ref-34-32398">Sant&#x2019;Anna, 2012</xref>).</attrib>
</table-wrap-foot>
</table-wrap>
<p>A partir do <xref ref-type="table" rid="tabw-2-32398">Quadro 2</xref> infere-se a possibilidade de que o n&#x00FA;cleo central das representa&#x00E7;&#x00F5;es sociais de estudantes com TEA compartilhadas por professores do Ensino Fundamental da Rede Municipal de Olinda-PE &#x00E9; constitu&#x00ED;do de seis palavras: <italic>desafio, amor, aten&#x00E7;&#x00E3;o, dificuldade, apoio e forma&#x00E7;&#x00E3;o</italic>. De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="ref-1-32398">Abric (2000)</xref>, o n&#x00FA;cleo central organiza-se a partir das normas e dos valores que constituem o ambiente ideol&#x00F3;gico do grupo. &#x00C9; a partir dos elementos centrais que os demais elementos adquirem sentido, trazendo &#x00E0; tona a sua fun&#x00E7;&#x00E3;o geradora, respons&#x00E1;vel por criar e transformar a significa&#x00E7;&#x00E3;o dos elementos constitutivos, bem como, a fun&#x00E7;&#x00E3;o organizadora, que determina a natureza dos la&#x00E7;os entre os elementos constitutivos. Em s&#x00ED;ntese, &#x00E9; o n&#x00FA;cleo central que d&#x00E1; significado e sentido &#x00E0; representa&#x00E7;&#x00E3;o, possibilitando inclusive a compreens&#x00E3;o dos elementos perif&#x00E9;ricos e de contraste.</p>
<p>O arranjo de frequ&#x00EA;ncia e import&#x00E2;ncia demonstra que as representa&#x00E7;&#x00F5;es sociais sobre estudantes com autismo na escola, compartilhadas pelos professores participantes analisados, parece comunicar necessidades a serem supridas como fundamentais &#x00E0; materializa&#x00E7;&#x00E3;o da inclus&#x00E3;o escolar desses estudantes, como preconiza a Pol&#x00ED;tica Nacional de Educa&#x00E7;&#x00E3;o Especial na Perspectiva da Educa&#x00E7;&#x00E3;o Inclusiva (<xref ref-type="bibr" rid="ref-8-32398">Brasil, 2008</xref>). Entretanto, as condi&#x00E7;&#x00F5;es apontadas s&#x00E3;o reconhecidas como insuficientes &#x00E0; efetiva&#x00E7;&#x00E3;o da inclus&#x00E3;o.</p>
<p>Embora o termo &#x00AB;inclus&#x00E3;o&#x00BB; esteja presente nos discursos, percebeu-se que o modelo praticado ainda est&#x00E1; distante de sua ess&#x00EA;ncia devido a fatores como processos formativos, estruturas e suporte insuficientes. O termo foi frequentemente associado a conceitos como <italic>amor</italic>, <italic>acolhimento</italic>, <italic>paci&#x00EA;ncia</italic> e <italic>empatia</italic>, evidenciando uma abordagem focada no cuidado, mas muitas vezes desvinculada da preocupa&#x00E7;&#x00E3;o com a aprendizagem.</p>
<p>A presen&#x00E7;a de estudantes com TEA na escola comum inicialmente causava estranhamento e desconforto entre os professores. No entanto, o avan&#x00E7;o da inclus&#x00E3;o escolar tem tornado o tema mais familiar, com um aumento significativo de matr&#x00ED;culas desse p&#x00FA;blico. Com base na estrutura proposta por <xref ref-type="bibr" rid="ref-30-32398">Moscovici (2011)</xref>, que orienta os processos de assimila&#x00E7;&#x00E3;o do &#x00AB;n&#x00E3;o familiar&#x00BB;, pode-se inferir que a conviv&#x00EA;ncia com esses estudantes nas salas de aula tem contribu&#x00ED;do para esse progresso. Ainda assim, os dados revelam que a inclus&#x00E3;o escolar enfrenta v&#x00E1;rias dificuldades, cujas fragilidades comprometem as oportunidades de aprendizagem para esses estudantes.</p>
<p>Os professores demonstram esfor&#x00E7;os para ressignificar suas representa&#x00E7;&#x00F5;es sociais, reconhecendo a necessidade de qualifica&#x00E7;&#x00E3;o para pr&#x00E1;ticas pedag&#x00F3;gicas que promovam a inclus&#x00E3;o. Eles rejeitam discursos que terceirizam responsabilidades, como &#x00AB;n&#x00E3;o estou preparado&#x00BB; ou &#x00AB;esse aluno n&#x00E3;o &#x00E9; meu&#x00BB;. Essa postura refor&#x00E7;a a urg&#x00EA;ncia de forma&#x00E7;&#x00F5;es continuadas em Educa&#x00E7;&#x00E3;o Inclusiva e do monitoramento social para cobrar pol&#x00ED;ticas que qualifiquem os docentes. A neglig&#x00EA;ncia nesse aspecto agrava desigualdades e dificulta a remo&#x00E7;&#x00E3;o de barreiras &#x00E0; inclus&#x00E3;o. Al&#x00E9;m disso, a forma&#x00E7;&#x00E3;o continuada pode transformar percep&#x00E7;&#x00F5;es sobre limita&#x00E7;&#x00F5;es de estudantes com TEA, impactando positivamente as interven&#x00E7;&#x00F5;es did&#x00E1;ticas e a efetiva&#x00E7;&#x00E3;o da inclus&#x00E3;o.</p>
</sec>
<sec id="sec-8-32398">
<label>8.</label>
<title>Considera&#x00E7;&#x00F5;es finais</title>
<p>A quest&#x00E3;o central desta pesquisa foi: <italic>o que dizem os docentes sobre a inclus&#x00E3;o de estudantes com TEA?</italic> O estudo buscou atender ao objetivo geral de analisar as representa&#x00E7;&#x00F5;es sociais de inclus&#x00E3;o de estudantes com TEA e sua escolariza&#x00E7;&#x00E3;o compartilhadas pelos professores dos anos iniciais do Ensino Fundamental da rede municipal de Olinda-PE. Participaram da pesquisa 35 professores(as) dos anos iniciais do Ensino Fundamental, que responderam a um TALP com o termo indutor &#x00AB;estudante com autismo na escola&#x00BB;, dos quais seis foram selecionados para entrevistas semiestruturadas.</p>
<p>Os resultados evidenciaram um distanciamento entre as expectativas dos docentes e as propostas de forma&#x00E7;&#x00E3;o oferecidas, destacando dois perfis principais de professores: aqueles com maior experi&#x00EA;ncia, que tendem a adotar uma abordagem mais afetiva, focada na socializa&#x00E7;&#x00E3;o, sem evidenciar preocupa&#x00E7;&#x00E3;o com a aprendizagem curricular do estudante com TEA; e, por outro lado, professores mais jovens e menos experientes, que possuem expectativas em rela&#x00E7;&#x00E3;o &#x00E0; aprendizagem dos estudantes com TEA, mas se sentem incapazes de ensin&#x00E1;-los devido &#x00E0;s lacunas em sua forma&#x00E7;&#x00E3;o. Observou-se, ainda, uma tentativa de &#x00AB;ressignifica&#x00E7;&#x00E3;o&#x00BB; das representa&#x00E7;&#x00F5;es sociais, na qual os professores reconhecem a necessidade de qualifica&#x00E7;&#x00E3;o para adotar pr&#x00E1;ticas inclusivas.</p>
<p>Por fim, as falas dos participantes apontaram a escassez de condi&#x00E7;&#x00F5;es, como a aus&#x00EA;ncia de processos formativos em Educa&#x00E7;&#x00E3;o Inclusiva, a falta de recursos materiais e de estrutura f&#x00ED;sica adequada nas escolas. Assim, pode-se concluir que a Pol&#x00ED;tica Nacional de Educa&#x00E7;&#x00E3;o Especial na Perspectiva da Educa&#x00E7;&#x00E3;o Inclusiva (<xref ref-type="bibr" rid="ref-8-32398">Brasil, 2008</xref>) e outras legisla&#x00E7;&#x00F5;es n&#x00E3;o s&#x00E3;o suficientes para garantir a inclus&#x00E3;o efetiva de estudantes com TEA na pr&#x00E1;tica escolar. O estudo sugere a necessidade de mais pesquisas e a implementa&#x00E7;&#x00E3;o de programas de forma&#x00E7;&#x00E3;o continuada em Educa&#x00E7;&#x00E3;o Inclusiva, com o objetivo de promover uma inclus&#x00E3;o mais ampla e qualificada.</p>
</sec>
</body>
<back>
<ref-list>
<label>9.</label>
<title>Refer&#x00EA;ncias</title>
<ref id="ref-1-32398"><mixed-citation publication-type="book"><person-group person-group-type="author"><string-name><surname>Abric</surname>, <given-names>J. -C.</given-names></string-name></person-group> (<year>2000</year>). <chapter-title>A abordagem estrutural das representa&#x00E7;&#x00F5;es sociais</chapter-title>. <comment>Em</comment> <person-group person-group-type="author"><string-name><given-names>A. S. P.</given-names> <surname>Moreira</surname></string-name> &#x0026; <string-name><given-names>D. C.</given-names> <surname>Oliveira</surname></string-name></person-group> (<role>Orgs.</role>), <source><italic>Estudos interdisciplinares de representa&#x00E7;&#x00E3;o social</italic></source> (<edition>2.&#x00AA; ed.</edition>). <publisher-name>AB Editora</publisher-name>.</mixed-citation></ref>
<ref id="ref-2-32398"><mixed-citation publication-type="journal"><person-group person-group-type="author"><string-name><surname>Amaral</surname>, <given-names>L. S.</given-names></string-name>, &#x0026; <string-name><surname>Silva</surname>, <given-names>M.</given-names></string-name></person-group> (<year>2013</year>). <article-title>N&#x00F3; ou n&#x00FA;cleo central e esquema perif&#x00E9;rico</article-title>. <source><italic>Cadernos CESPUC de Pesquisa S&#x00E9;rie Ensaios</italic></source>, <volume>23</volume>, <fpage>30</fpage>&#x2013;<lpage>36</lpage>.</mixed-citation></ref>
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